Belo Horizonte, 2014
Mobilithas em Pauta
Case
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Mobicentro: repensando o coração de Belo Horizonte
Um projeto que reorganizou o centro da cidade para receber o MOVE, priorizando pedestres e o transporte coletivo com soluções eficientes e de baixo custo.

Um projeto premiado dentro e fora do Brasil,
por dois anos consecutivos.
O projeto Mobicentro surgiu da necessidade de resolver uma importante equação: preparar a cidade de Belo Horizonte (Minas Gerais) para receber um novo modelo de transporte coletivo, o BRT (Bus Rapid Transit) intitulado MOVE; e, ao mesmo tempo, dar oportunidade no trânsito aos pedestres e usuários do transporte coletivo que circulam pela região central da cidade. Tudo isso sem grandes obras e a um custo baixo.
Além disso, o órgão responsável por gerenciar o planejamento e execução das políticas de mobilidade e trânsito da cidade de Belo Horizonte, a BHTRANS, estava em preparação para receber a Copa do Mundo sediada no país, que aconteceu em 2014. Para tal, era fundamental que a região da área central e área hospitalar estivessem aptas para possibilitar uma convivência harmônica e segura destes novos usuários com os que já circulavam no local.
Diante disso, para receber a nova infraestrutura prevista ao BRT, considerando a ampliação das faixas e pistas exclusivas para os ônibus, alteração dos veículos, adoção de terminais fechados com pré-pagamento da passagem, dentre outras novas implementações; foi necessário também o planejamento viário, levando em conta os fluxos de pedestres e de automóveis.
Por trás do projeto: Sem grandes obras, grandes transformações.
O projeto, de autoria dos responsáveis técnicos da Metrics Mobilidade - na época, integrantes da empresa TECTRAN -, foi financiado pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) e pela Agência Francesa de Desenvolvimento, por sua atuação na promoção da sustentabilidade ambiental e segurança no trânsito.
As primeiras intervenções do Mobicentro foram pontuais. A circulação do tráfego foi modificada e as vias preparadas para receber as faixas exclusivas ou prioritárias para ônibus. Foram criadas alternativas para dispersão do tráfego na área central, com a utilização de ligações interbairros e a organização do fluxo de veículos, sempre com o objetivo de diminuir o tempo do percurso. Essas primeiras ações já reduziram os congestionamentos e os conflitos entre veículos e pedestres de maneira significativa.

Fonte: Instituto Cordial.
"Buscando aumentar a sensação de conforto do pedestre com o novo sistema de transporte público..."
...seis grandes estações de transferência do BRT MOVE foram instaladas no hipercentro de Belo Horizonte, nas avenidas Paraná e Santos Dumont. O sistema viário foi modificado para acolher os passageiros do BRT MOVE, a segurança foi reforçada e o resultado foi o crescimento no fluxo de pedestres na região.
Para deixar a região mais amigável ao pedestre, os tempos semafóricos foram
ampliados, privilegiando os parâmetros de velocidade de caminhada das pessoas. Além disso, todas as calçadas junto às interseções foram tratadas com elementos de acessibilidade universal.
O projeto buscou privilegiar soluções simples e de baixo custo, através da viabilização da criação de faixas exclusivas ou prioritárias para os ônibus ou prioritárias para os ônibus do BRT MOVE e alterações nas travessias das vias.
O foco foi garantir melhorias no convívio entre todos os usuários, sejam pedestres, usuários do transporte
coletivo e usuários de veículos
particulares. Algumas análises de sua efetividade foram desenvolvidas por diferentes organizações, dentre elas o Banco Inter-Americano de Desenvolvimento (BID) e o Instituto Cordial, promovido pelo Painel Brasileiro da Mobilidade (PMB), este último através da pesquisa e elaboração de Gregório Luz - pesquisador de Mobilidade Urbana do Centro de Estudos Políticos e Econômicos do Setor Público da Fundação Getulio Vargas (CEPESP-FGV). Alguns pontos relevantes de análise dos impactos do projeto são apresentados a seguir.
Menos espera, mais travessia: A reconfiguração da Praça Sete trouxe mais tempo, conforto e segurança para pedestres em um dos pontos mais emblemáticos da cidade.
Dentre as áreas abordadas no projeto, o caso da Praça Sete de Setembro se concretizou como um dos mais emblemáticos. A Praça Sete, cartão postal de Belo Horizonte, foi um dos principais pontos de estudo - indicado no mapa acima como intervenção número 16. Ao todo, são cerca de 317 mil pedestres cruzando a praça diariamente.
Antes do projeto, o tempo médio de espera no sinal para atravessar uma pista era de 50 segundos, tendo apenas 18 segundos para o pedestre completar a travessia. Já no projeto, ao impedir os movimentos de giro à direita dos veículos na interseção das avenidas Afonso Pena e Amazonas, o pedestre passou a esperar em média 25 segundos, tendo 46 segundos para atravessá-la.

Fonte: Banco Inter-Americano de Desenvolvimento (BID).
O ciclo semafórico anteriormente considerado longo, com 120 segundos, passou a ser de 90 segundos, implicando em mais oportunidades para os pedestres. Além disso, o cálculo considerando a velocidade do pedestre com 0,90 m/s, ao invés de 1,20 m/s - dado usualmente considerado nos estudos - garantiu que as travessias se tornassem mais confortáveis e seguras aos usuários que possuem mobilidade reduzida. Apesar de relativamente simples, essas soluções significaram na prática mais fluidez para a mobilidade a pé, tão utilizada na área central.


Fluxo de pedestres e tabela de tempo de espera.
Fonte: TECTRAN.
Ademais, as intervenções do projeto Mobicentro contribuíram consideravelmente para a segurança dos pedestres. Além da melhoria dos tempos de espera e de travessia, com a mudança no fluxo da circulação nas avenidas Amazonas e Afonso Pena, diminuiu-se também o risco de atravessamentos nas esquinas; resultando na redução de 41% do número de sinistros de trânsito na interseção analisada.

Fluxo de veículos depois.
Fluxo de veículos antes.
Fonte: Metrics Mobilidade.
Os novos acessos para as avenidas Afonso Pena e Amazonas (Hipercentro) ficaram da seguinte forma:

Fonte: Banco Inter-Americano de Desenvolvimento.
De acordo com o Instituto Cordial, a análise de sinistros indicou que, antes da intervenção, foram registrados 103 casos na área tratada e 93 na área de controle. Após as mudanças, esse número caiu para 71 na área tratada, enquanto na área de controle houve aumento para 106 ocorrências. Os resultados apresentaram significância estatística ao nível de 99%, comprovando a efetividade da
intervenção, além da redução de 41,28% no número de sinistros no local, já mencionada.
Após a implantação do projeto, além de aumentar a segurança e reduzir os sinistros de trânsito, notou-se também a melhoria significativa no nível de serviço aos pedestres, promovendo um caminhamento mais natural e fluido.

Fonte: TECTRAN.


Do centro de BH para o mundo: Um case que se tornou referência internacional.
Premiado por dois anos consecutivos, o Mobicentro recebeu o Sustainable Transport Award (2015), reconhecimento global por iniciativas inovadoras em mobilidade urbana, e o prêmio Governarte (2016), voltado a boas práticas em gestão pública, durante a conferência Habitat III da ONU.
“Esse prêmio nos alegra muito e reforça nosso compromisso em continuar promovendo iniciativas como essa na cidade”, afirmou o ex-prefeito Marcio Lacerda à FNP.

Fonte: Cities Today
Foto: Laudemar-Aguiar-Marcio-Lacercda-Ciro-Biderman, 2015

Já Michael Kodransky, presidente do comitê do Sustainable Transport Award, destacou ao Cities Today que “o Brasil é o berço do BRT, e não é surpresa que suas cidades sigam avançando de forma tão consistente para se tornarem mais habitáveis e equitativas”.
Fonte: Frente Nacional de Prefeitos e Prefeitas
Foto: Prefeitura de Belo Horizonte, 2016
Ficha técnica
Projeto técnico: responsáveis da Metrics Mobilidade (à época, integrantes da TECTRAN)
Execução: BHTRANS e Prefeitura de Belo Horizonte
Local: Hipercentro de Belo Horizonte/MG
Status: Intervenção semafórica com prioridade ao pedestre e ao transporte coletivo (2014)
Créditos
Mapas, tabelas e diagramas: Banco Inter-Americano de Desenvolvimento (BID), Instituto Cordial e equipe técnica da Metrics Mobilidade (à época, TECTRAN)
Textos e edição: Equipe Metrics Mobilidade
Como citar
MOBILITHAS SOLUÇÕES DE MOBILIDADE URBANA. Mobicentro: repensando o coração de Belo Horizonte. 2023. Disponível em: www.mobilithas.com/mobicentro. Acesso em: dd mm. aaaa.
Referências Bibliográficas
FORSTER, Richard. Belo Horizonte, Rio de Janeiro and São Paulo win 2015 Sustainable Transport Award. Cities Today, 2015. Disponível em: https://cities-today.com/belo-horizonte-rio-de-janeiro-and-sao-paulo-win-2015-sustainable-transport-award/. Acesso em: 17 mar. 2026.
FRENTE NACIONAL DE PREFEITOS (FNP). Presidente da FNP recebe prêmio do BID durante Habitat III. 2016. Disponível em: https://fnp.org.br/noticias/item/1229-presidente-da-fnp-recebe-premio-do-bid-durante-habitat-iii. Acesso em: 17 mar. 2026.
Mobicentro: como interferir no trânsito de uma grande cidade gastando pouco e obtendo ótimos resultados. Belo Horizonte: BID - IDEAÇÃO, 2017. Disponível em: https://blogs.iadb.org/brasil/pt-br/mobicentro-como-interferir-no-transito-de-uma-grande-cidade-gastando-pouco-e-obtendo-otimos-resultados/. Acesso em: 07 dez. 2022.
MOBICENTRO – Segurança para o pedestre e prioridade para o transporte coletivo na área central de Belo Horizonte. São Paulo: SYSTRA. Disponível em: https://www.systra.com.br/IMG/pdf/mobicentro_-_seguranca_para_o_pedestre_e_prioridade_para_o_transporte_coletivo_na_area_central_de_belo_horizonte.pdf. Acesso em: 07 dez. 2022.
PAINEL BRASILEIRO DE MOBILIDADE, 2022, Online. Efetividade do projeto Mobicentro na segurança viária em Belo Horizonte. São Paulo: Instituto Cordial, 2022. 58 p. Disponível em: https://drive.google.com/file/d/1uN6mABnXX283UEF4RzyJsnCnYtaWLboY/view. Acesso em: 07 dez. 2022.TECTRAN. BHTRANS.
MOBICENTRO - Prioridade para o pedestre, fluidez no tráfego: programa para aumento da segurança e da capacidade operacional do hipercentro - Projeto da Praça 7. Belo Horizonte: TECTRAN, 2015 14 slides, color.
